Pesquisas Científicas

Com o envelhecimento da população, o impacto das demências, como a doença de Alzheimer na sociedade está crescendo em todo o mundo, sendo que o problema afeta especialmente países em desenvolvimento, como o Brasil. Além disso, diversos transtornos psiquiátricos, tais como esquizofrenia, ansiedade, depressão e transtorno bipolar, cursam com alterações em funções cognitivas, tais como atenção, memória, audição e visão. As demências e outras alterações cognitivas diminuem a qualidade de vida dos indivíduos afetados e de quem está próximo, e são determinantes para a incapacitação e dependência causada por estes transtornos.

O LabNACe trabalha na interface entre a neurociência básica e clínica, a psiquiatria e a saúde pública para produzir e implementar conhecimentos da neurociência para a promoção da saúde cerebral. O objetivo principal é desenvolver e aplicar ferramentas digitais que promovam a saúde cerebral, tendo em vista que intervenções digitais têm um grande potencial para produzir um impacto tangível dada a acessibilidade e facilidade de acesso. Evidências científicas indicam que o treinamento do cérebro usando computadores pode ter benefícios duradouros na função cerebral, entretanto este tipo de treinamento precisa ser incorporado em intervenções escalonáveis e multidisciplinares.

O laboratório tem três áreas de atuação:

1. Aplicações do treino cognitivo digital em indivíduos saudáveis ou com transtornos neuropsiquiátricos. O treino cognitivo computadorizado visa melhorar funções cerebrais, tais como atenção, visão, audição e memória, através de exercícios desenvolvidos a partir dos conhecimentos científicos sobre neuroplasticidade. Nesta linha realizamos estudos clínicos avaliando o impacto dos exercícios em diversos aspectos, tais como respostas neurofisiológicas, cognição, qualidade de vida e funcionamento.

2. Marcadores moleculares que possam ser úteis para o diagnóstico e o acompanhamento do tratamento de transtornos neuropsiquiátricos. Nesta linha fazemos análises moleculares de amostras coletadas de pacientes e tecido postmortem. Estamos particularmente interessados em alterações em aminoácidos neurotransmissores, tais como a D-serina e o glutamato, e a relação delas com a cognição.

3. Alterações cognitivas em modelos animais de transtornos neuropsiquiátricos. Nesta linha fazemos estudos moleculares e de comportamento em animais com alterações genéticas, sendo nosso foco principal o metabolismo da D-serina, que está possivelmente afetado na esquizofrenia e em outros transtornos neuropsiquiátricos. Estudamos o impacto que modificações na disponibilidade de D-serina têm sobre a cognição e a neuroquímica cerebral. O objetivo final é utilizar estes modelos animais para desenvolver e testar estratégias terapêuticas que possam reverter os déficits cognitivos.

Os estudantes do laboratório realizam suas teses e dissertações nos Programas de Pós-Graduação da UFRJ (Mestrado e Doutorado) em Ciências Morfológicas (PCM) – área de Neurociência Básica e Clínica (Conceito 7 na CAPES) e em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) (Conceito 5 na CAPES). O laboratório oferece um Programa de Iniciação Científica, para estudantes de graduação, e estágio probatório para a pós-graduação, para graduados.  

Parcerias:

Global Brain Health Institute, Montreal Neurologic Institute, University of Minnesota, PUC-Rio, NeuroForma Tecnologias, Posit Science Inc. 

Apoio financeiro:

CNPq, FAPERJ, Ministério da Saúde, National Institute of Health, Alzheimer’s Association